Blog Fabiana Senrra


Os desafios emocionias no processo de imigração

Quando escolhemos deixar o nosso país de origem, cada um de nós tem um motivo diferente, seja por uma proposta de emprego, para estudar, para viver um novo relacionamento amoroso, para seguir um (a) companheiro (a), por uma decisão de mudança familiar, buscar qualidade de vida, viver um sonho ou qualquer uma outra situação que a vida nos apresente e que nos faça decidir embarcar nesse desafio. Sim, eu falo desafio, porque por mais que saibamos que a responsabilidade por escolher imigrar é nossa, isso não significa dizer que seja uma decisão fácil. Cada escolha feita implica em renunciar algo do qual gostamos, e nem sempre estamos emocionalmente preparados para lidar com as consequências.

Todos nós passamos pelo processo de imigração, mas cada um de nós passa por esse processo de maneira única, pois vivenciamos as nossas experiências de acordo com os recursos internos que possuímos e fomos construindo ao longo da vida. Ou seja, enquanto uns conseguem se adaptar muito bem, outros enfrentam dificuldades em situações que pareceriam simples, quando pensamos na vida que levávamos no nosso país, como pegar um transporte público ou ir ao médico por exemplo. Passada a euforia da chegada, nos deparamos com um novo mundo, que traz consigo barreiras que a maioria dos imigrantes enfrentam, como a distância da família e suas referências regionais, o idioma, o clima, a culinária, as diferenças culturais…entre outros, e com isso, podem vir a noção de não pertencimento, a dependência, a solidão, o vazio, a tristeza e também o adoecimento.

Se não bastasse toda a pressão de estar vivendo num país novo, muitas vezes recebemos uma pressão externa de parentes e amigos, que depositam uma grande expectativa para que tudo seja um sucesso. Se tudo vai bem, está ótimo! A questão é quando as coisas não saem exatamente como esperávamos e nos vemos diante de uma situação de incômodo, desconforto, insegurança e de solidão, porque as vezes nem podemos dividir o que sentimos com eles por medo do julgamento. Logo começam os pensamentos: “Será que vai dar certo?”, “Será que fiz a melhor escolha?”, “O que tem de errado comigo? Eu tenho tudo aqui, eu não deveria estar feliz?”. O que ninguém conta é que imigrar traz na bagagem uma chuva de novas sensações, e que se não soubermos administrar as nossas emoções, podemos nos perder de nós mesmos.

Então como podemos lidar melhor com tudo isso? Não importa o fato em si, mas a forma como encaramos o fato. Quando mudamos o nosso olhar diante das dificuldades, as coisas começam a fluir melhor, acredite. E por mais clichê que possa parecer, tudo tem seu tempo e tudo passa. É preciso se permitir viver esses momentos, afinal é um recomeço, que exige tempo e paciência. Você se lembra de alguma situação difícil que já viveu e achava que aquela dor não passaria nunca ou não encontraria uma solução para um determinado problema? Uma desilusão amorosa ou a perda de um emprego por exemplo. Essa dor não passou? Pode até não ter sido fácil, mas hoje você está vivendo um outro momento em sua vida e essas lembranças difíceis só fazem parte do seu passado. E assim acontecerá com as dificuldades que você está enfrentando hoje aqui também. O autoconhecimento é outro recurso fundamental para entender a sua forma de enxergar a você mesmo, o mundo e os outros, que te permite ampliar a forma de encarar a vida e seus desafios.

Para finalizar, se você se identificou com algo que foi dito nesse texto e quer poder conversar mais sobre o seu processo de imigração, aprender a lidar melhor com as suas emoções, falar das coisas que te trazem angústia, ansiedade ou tristeza, de maneira confidencial, sem julgamentos e na sua língua materna, fique à vontade para nos procurar. Teremos o prazer em recebê-lo (a).

Fabiana Senrra Toure

Psicóloga Clínica